BRASIL: VIVA A LUTA DES TRABALHADORES PELA VIDA E POR UNA NOVA SOCIEDADE

Obreros - Tarsila do Amaral - Historia Arte (HA!)
Fuente: historia-arte.com

Marina Machado Gouvêa*

Neste 1o de maio, as trabalhadoras e trabalhadores brasileiras/os estão enfrentadas/os à maior catástrofe da história do país desde o período da escravização colonial. O Brasil tem, hoje, 3% da população mundial, mas alcançou em 13 de abril de 2021 a marca de 39,5% das mortes diárias por COVID-19. A subnotificação provavelmente marca ainda mais 22% mortes para além das registradas no país. Dentre os 10 países com maior número de casos no mundo, o Brasil é aquele que realiza menos testes para o SARS-COV-2  (Cálculo sobre dados disponibilizados pela Wikipedia, Worldometers e Conselho Nacional de Secretários de Saúde). 

Em abril, o país registrou 82 mil mortes oficiais pelo novo coronavírus, ultrapassando 400 mil vidas perdidas, que representam filhas/os, mães, pais, avós, amigues de outras tantas centenas de milhares de pessoas. 86% des brasileires conhecem ao menos uma pessoa que morreu diretamente da doença (CPS/IBPAD, https://valor.globo.com./brasil/noticia/2021/04/27). O governo Bolsonaro recusou 11 vezes ofertas para compra de vacinas pelo Brasil (https: //gl.globo.com/politica/bog/octavio-guedes/ 2021/04/27).

Ao mesmo tempo, são 14,4 milhões de desempregades (o desemprego oficial cresceu 18,2% no último ano), 6,9 milhões de pessoas subocupadas e 17,2 milhões de pessoas que já nem procuram emprego ou estão na força de trabalho potencial (PNAD/IBGE). Entre quem tem emprego, 16 milhões de pessoas estão na informalidade. Na metade de 2020, o nível de ocupação oficial passou a ser menor que 50% pela primeira vez na história do país, estando hoje em 48,6%

(https://ftp.ibge.gov.br/202102.quadroSintetico.pdf).  E os preços não param de subir, com inflação acumulada de 31,6% nos últimos 12 meses (IGP-M/FGV) e alta especificamente na comida, gás e combustível, devido à destruição da política de garantia alimentar e da Petrobras. As trabalhadoras/es intermitentes tiveram rendimento mensal médio de R$637, ou 64% do salário mínimo (DIEESE). Neste ano, o patrimônio dos super-ricos aumentou 71%. O Brasil tem 65 bilionários no ranking da Forbes, enquanto 19 milhões de pessoas passam fome (FGV, DIEESE, Revista Forbes e Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional / Inst. Pensann).

O principal argumento do governo Bolsonaro para defender que não seja feito isolamento social no país é a preservação dos empregos e da economia. Esquecem-se de dizer que o Governo seria o principal responsável por conceder auxílio de renda e por realizar medidas de incentivo à preservação de empregos e que opta por não fazê-lo. Nos países centrais, o perfil epidemiológico em ondas que marca a covid tem determinado períodos de maior e menor abertura relativa, possibilitando a minimização dos efeitos da pandemia. Para os países dependentes, o que resta é a abertura desvairada na ponta do chicote.

Bolsonaro fez a opção política de lutar pelo caos, prevendo o tamanho que teria a crise e pensando que poderia ter êxito em convencer a população de que a crise econômica não é sua responsabilidade e sim consequência da pandemia. Ao mesmo tempo, fortalece-se frente a uma base de ultradireita e aproveita-se do baixo acesso da população à informação de qualidade (auxiliado pela destruição que vem perpetrando no sistema educacional do país), lutando ativamente contra a vacinação e o uso de máscaras e promovendo o emprego de medicamentos ineficazes, cuja utilização descuidada tem aumentado o contágio entre a população (https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-26). A matança promovida no Brasil não é erro ou imbecilidade. É genocídio como opção política.

Neste 1o de maio, as trabalhadoras e trabalhadores brasileires lutam para não morrer, de covid ou de fome. Lutam pelo direito à vacina, pelo auxílio emergencial de pelo menos R$ 600, pelo isolamento social, pela concessão de EPI nos postos de trabalho. E lutam contra o desmonte público e a privatização, pelo retorno e avanço da legislação trabalhista e do Ministério do Trabalho. São muitos os ataques. Aos Correios, à Petrobras, ao Banco do Brasil. Ao conjunto da classe trabalhadora.             Neste 1o de maio, a classe


* Brasil, GT Crisis y economía mundial, e membra da junta diretiva da SEPLA.